Domingo, 9 de Setembro de 2007
Peirce # 49

O grande argumento do nominalismo é que não há homem nenhum a menos que haja algum homem particular. No entanto, isso não afecta o realismo de Escoto; porque embora não haja qualquer homem do qual toda a determinação ulterior possa ser negada, há no entanto um homem, abstracção feita de toda a determinação ulterior. Há uma diferença real entre homem independentemente do que possam ser as outras determinações e homem com esta ou aquela série particular de determinações, embora essa diferença seja sem dúvida apenas relativamente à mente e não in re.

É essa a posição de Escoto. A grande objecção de Occam consiste em não poder haver distinção real que não seja in re, na coisa-em-si; mas isso passa ao lado da questão, pois é ela própria apenas baseada na noção de que a realidade é qualquer coisa independente da relação representativa. [Nota 36 — Esta posição de Peirce, de 1868, —pela qual o realista é aquele que não admite qualquer realidade exterior ao espírito — é bastante diferente daquilo que mais tarde, Peirce qualificará como sendo a do «verdadeiro realista».]»

 

(C. S. Peirce, Op. cit., p. 56)


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Terça-feira, 4 de Setembro de 2007
Peirce # 48

O nominalista tem de admitir que homem é aplicável, de forma verdadeira a alguma coisa; mas ele acredita que subjacente a isso existe uma coisa em si, uma realidade incognoscível. A ficção metafísica é dele. Os nominalistas modernos são na sua maioria homens superficiais, que não sabem, como os mais profundos Roscellinus e Occam sabiam, que uma realidade que não tem representação é uma realidade que não tem relação nem qualidade.


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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007
Peirce # 47
«(…) Mas segue-se do facto de nenhuma cognição ser absolutamente determinada que os gerais têm uma existência real. Ora este realismo escolástico é normalmente apresentado como uma crença em ficções metafísicas. Mas, de facto, um realista é simplesmente alguém que não reconhece outra realidade recôndita para além daquela que é representada numa representação verdadeira. Assim, uma vez que a palavra «homem» é verdadeira acerca de alguma coisa, aquilo que «homem» significa é real.» (continua) 

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Quinta-feira, 19 de Julho de 2007
Peirce # 46

E que queremos nós significar por real? É um conceito que se deve ter originado em nós quando descobrimos que havia um irreal, uma ilusão; quer dizer, quando pela primeira vez nos corrigimos.

 

Ora a única distinção para a qual este facto logicamente apelava era entre um ens relativo a determinações privadas interiores, e um ens tal como ele se confirmaria no longo prazo.

 

O real, então, é aquilo a que, mais cedo ou mais tarde, a informação e o raciocínio conduzirão, e que por isso é independente dos meus e dos vossos caprichos. Portanto, a própria origem do conceito de realidade mostra que ele envolve essencialmente a noção de uma COMUNIDADE sem limites definidos e capaz de um aumento definido de conhecimento.»

 

(C. S. Peirce, Op. cit., p. 55)


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Domingo, 15 de Julho de 2007
Peirce # 45

As cognições que assim chegam até nós através dessa série infinita de induções e hipóteses (que, embora infinita a parte ante logice, tem, no entanto, como qualquer processo contínuo, um princípio no tempo) são de dois tipos: as verdadeiras e as não verdadeiras, isto é, cognições cujos objectos são reais e aqueles cujos objectos são irreais.


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Quinta-feira, 5 de Julho de 2007
Peirce # 44

Este primeiro ponto ideal é a coisa-em-si. Ela não existe enquanto tal. Quer dizer, não há coisa nenhuma que seja em-si no sentido de não ser relativa à mente, embora coisas que são relativas à mente possam sem dúvida ser independentes dessa relação.(*)

_____________

 

(*) Nota 33 — Sendo independente do pensamento, a coisa-em-si é absolutamente incognoscível, pelo que não a podemos determinar seja de que modo for; ela não pode ser tornada um objecto de predicação. Estando completamente fora do conhecimento, é contraditório admitir a existência de uma tal entidade. Na realidade, a coisa-em-si é representada pelo indivíduo dos nominalistas, indivíduo a partir do qual todo o conhecimento começaria. A coisa-em-si é um dos «pontos últimos» e irredutíveis que não são susceptíveis de qualquer mediação.

_____________ 


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Quinta-feira, 21 de Junho de 2007
Peirce # 43

«Nós estamos em qualquer momento na posse de certas informações, isto é, de cognições que foram logicamente derivadas por induções e hipóteses de cognições prévias que são menos gerais, menos distintas e das quais temos um consciência menos vivas. Estas, por sua vez, foram derivadas de outras ainda menos gerais, menos distintas e menos vívidas; e assim recuando sucessivamente até ao primeiro ponto ideal *, o qual é totalmente singular e totalmente fora da consciência.

 

[* entenda-se como o limite que o possível não consegue atingir]

 


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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007
Peirce # 42

«Chegamos agora à consideração do último dos quatro princípios cujas consequências nos propusemos tratar; a saber, o princípio segundo o qual o absolutamente incognoscível é absolutamente inconcebível.

 

Desde há muito tempo que as pessoas mais competentes se devem ter convencido que, segundo os princípios cartesianos, as realidades intrínsecas das coisas nunca podem ser conhecidas no pormenor.

 

Daí o surgimento do idealismo, que é essencialmente anti-cartesiano, em todas as suas orientações, quer entre os empiristas (Berkeley, Hume), quer entre os noologistas (Hegel, Fitchte).

 

O princípio agora trazido à discussão é directamente idealista; de facto, uma vez que o significado de uma palavra é a concepção que ela veicula, o absolutamente incognoscível não tem significado porque nenhuma concepção lhe está ligada.

 

É, por isso, uma palavra sem sentido; portanto, seja o que for que seja significado por um termo como «o real» ele é cognoscível em certo grau, e por isso é da natureza de uma cognição (no sentido objectivo deste termo).»

 

(C. S. Peirce, Op. cit., p. 54)


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Domingo, 27 de Maio de 2007
Peirce # 41

O que aqui é dito sobre a associação por semelhança é verdadeiro para qualquer tipo de associação. Todas as associações se processam através de signos. Cada coisa tem as suas qualidades subjectivas ou emocionais que são atribuídas absolutamente ou relativamente ou então por imputação convencional, a algo que é o signo dessa coisa. E por isso raciocinamos:

 

O signo é isto e aquilo;

Logo, o signo é [representa] aquela coisa.»

 

 

(C. S. Peirce, Op. cit., p. 53-4)


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Terça-feira, 8 de Maio de 2007
Peirce # 40
Tudo aquilo a que atribuímos interesse cria em nós a sua própria emoção particular, por ténue que ela seja. Essa emoção é um signo e um predicado da coisa. Ora, quando se nos apresenta uma coisa que se assemelhe a uma anterior, surge igualmente uma emoção similar; inferimos então imediatamente que a última é semelhante à primeira.

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