Domingo, 25 de Janeiro de 2004
Putnam # 3

O «sinn» serve para três coisas simultâneas:

  • Elucidar o problema da fixação da referência (extensão) de um termo, isto é, dá o critério de identificação da referência;
  • Determinar o conteúdo (conceptual) de um termo e a forma como ele contribui para o conteúdo das proposições nas quais o termo ocorre;
  • Serve também para fazer a identificação daquilo que é compreendido quando se usa o termo correctamente.

Note-se que o «sinn», que determina a referência, pode ser considerado não psicológico — é abstracto, como dissémos—; mas, o acesso ao «sinn» (o «grasping», a captação do sentido) é sempre de natureza psicológica.

Em resumo, podemos fomular como segue a tese de Frege (e Carnap):

  • Conhecer o sentido de um termo consiste em estar num certo estado psicológico (que corresponde à apreensão do seu «sinn»).
  • A intensão de um termo determina a sua extensão.

Assim, o estado psicológico que corresponde à apreensão da intensão («sinn») de um termo determina a sua extensão. Ora, Putnam vai demonstrar que este resultado é falso.

Frege não se limita a mostrar que a referência é dependente da fixação do sentido, o «sinn»-abstracto; vai um passo adiante e tenta argumentar que é a compreensão subjectiva (seja individual ou colectiva) do sentido, a intensão, que determina a referência. É contra isso que Putnam constroi o seu famoso argumento da Terra Gémea.

O puzzle de Frege mostra claramente que o significado não pode ser só a referência, porque há diferença no sentido das expressões, logo o significado não se reduz à referência; contudo, o argumento do Putnam, embora não  o que Frege defende no seu  puzzle, vai em sentido contrário mostrar que o que “está na cabeça” não é suficiente para dar o significado de uma palavra (a história da Terra Gémea).

Assim, a argumentação de Putnam vai mostrar que embora o significado não se reduza à referência tem de a incluir como componente; enquanto que Frege, depois de concluir que a referência não é suficiente para a fixação do significado, vai para o outro extremo e tenta argumentar que a referência é determinada pelo que está na cabeça, pela intensão.

 


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publicado por vbm às 12:40
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