Segunda-feira, 29 de Março de 2004
Ainda Platão # 16

Aliás, — e este é um argumento modal — para propriedades, ser é ser possível; e ser possível é ter possivelmente exemplos; ora, qualquer propriedade que seja possivelmente exemplificada existe e pode não ter exemplos de facto; p.e., ‘viajar mais depressa do que a luz’. O idioma ‘ter’ (T) uma propriedade ascende à existência pela simples possibilidade de ter exemplos: ◊ $x  x T l y P y ® Existe l y P y  ou seja, se é possível P ter exemplos, então P existe. Em matemática, por exemplo, a consistência é um critério de existência. Contudo, o caminho inverso não é válido: da possibilidade não se infere o ser.

Há também um argumento modal que afirma serem os universais existentes necessários; não só existem como não poderiam não ter existido; existem em todos os mundos possíveis ou situações contrafactuais — i.é., qualquer maneira completa de como as coisas poderiam ter sido, mas não são. O argumento diz: mesmo que tudo mude, os universais não mudam.

Assim, a existência de universais, em qualquer  mundo possível, não depende da existência. nesse mundo, de exemplos desses universais; p.e., a espécie-cavalo existe num mundo possível sem cavalos; ou seja, há universais não-exemplificados

É claro que pode ‘censurar-se’ o excessivo deste papel dos universais que apenas são chamados a explicar a concordância de atributos, que mostre a razão da semelhança do um-em-muitos, e quase vai além do próprio do Realismo que é tão só afirmar que as semelhanças são objectivas.

Um argumento contra a premissa deste argumento modal — os universais são existentes necessários — é contra-exemplificar que há propriedades que existem contingentemente, do género já cima referido; p.e., {Sócrates} – o conjunto cujo único elemento é Sócrates. Ora, num mundo possível como poderia não ter havido Sócrates, poderia não haver o conjunto composto pela unidade singular Sócrates. Logo, nem todos os universais seriam existentes necessários.

----> A isto contrapomos que o feixe de propriedades exemplificado em Sócrates, esse é um universal necessário para a possibilidade de Sócrates.

Ainda um argumento a favor do RP é o da perfeição. Nenhuma figura ou forma ou qualquer facto empírico sendo a expressão perfeita das propriedades que exprimem, os universais seriam necessários porque só com eles os exemplares podem ser explicados. ----> Contudo, poderá replicar-se que pelo menos em alguns casos haverá particulares perfeitos. É bem possível: o próprio Platão, o primeiro filósofo que de algum modo abordou a questão de estética na cultura ocidental, admitia que o belo sensível era uma expressão directa do Bem Supremo no mundo das sombras dos sentidos.


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publicado por vbm às 23:59
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