Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2005
Ainda David Hume # 2

É evidente que todos os raciocínios referentes a matéria de facto fundam-se na relação de causa e efeito e nunca podemos inferir a existência de um objecto de outro, a não ser que estejam conexionados quer mediata ou imediatamente.

Para entendermos este tipo de raciocínios temos de nos familiarizar com a ideia de causa ; para isso, teremos de olhar em volta para encontrar alguma coisa que seja causa de outra.

Se observarmos numa mesa de bilhar, uma bola parada e outra em movimento rápido em sua direcção; chocam; a bola primitivamente em repouso, adquire movimento. Este caso é uma instância perfeita e clara da relação de causa e efeito, como qualquer outro que conheçamos por sensação ou reflexão.

As duas bolas tocaram-se antes de o movimento ser comunicado, e não houve intervalo entre o choque e o movimento. Contiguidade no tempo e no espaço é então um requisito circunstancial para a operação de causalidade.

É também evidente que o movimento, que foi a causa, precede o movimento que foi o efeito. Prioridade no tempo é então outro requisito circunstancial em qualquer causa.

Mas isto não é tudo. Se repetirmos esta experiência em circunstâncias semelhantes, sempre constataremos que o impulso da bola em movimento produz o movimento da outra. Eis então uma terceira circunstância, a saber a conjunção constante entre causa e efeito. Qualquer evento do tipo causal produz sempre um evento do tipo efeito.

Para além destas três circunstâncias de contiguidade, prioridade e conjunção constante, nada mais se descobre na causa.

Este é o caso quando ambos, a causa e o efeito, estão presentes aos nossos sentidos.

 


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publicado por vbm às 12:42
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