Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2005
Ainda David Hume # 3

Vejamos agora em que se funda a nossa inferência quando concluímos do efeito que a causa existiu, ou desta que o efeito lhe sucederá.

Suponhamos que vejo uma bola mover-se em linha recta em direcção a outra: de imediato concluo que chocarão, e a segunda entrará em movimento. Esta é a inferência da causa ao efeito; desta natureza são todos os nossos raciocínios na conduta da vida: nisto se fundamentam todas as nossa crenças na história: e daqui deriva toda a filosofia, excepto apenas a geometria e a aritmética.

Se pudermos explicar a inferência que formulamos a partir do choque de duas bolas, teremos condições de justificar e entender esta operação da mente em todas as instãncias em que ocorre.

Um homem primevo, tal Adão, no pleno vigor das suas faculdades mentais, jamais conseguiria inferir o movimento da segunda bola, do movimento e impulso da primeira.

Nada há que a razão compreenda na causa que nos permita inferir o efeito. Tal inferência, se fosse possível, equivaleria a uma demonstração, fundada numa mera comparação de ideias. Mas nenhuma inferência da causa ao efeito se equipara (amount to) a uma demonstração. Do que pode dar-se uma prova evidente. A mente pode sempre conceber qualquer efeito derivado de qualquer causa, e, de facto, qualquer evento a suceder a outro: o que quer que se conceba é possível, pelo menos num sentido metafísico: mas, onde quer que ocorra uma demonstração, o contrário é impossível, e implica contradição. Portanto, não há nenhuma demonstração para nenhuma conjunção de causa e efeito.

 


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publicado por vbm às 13:26
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