Quinta-feira, 3 de Março de 2005
Ainda David Hume # 13

§36

O Princípio é «O COSTUME ou HÁBITO».

Ele ocorre onde quer que a repetição de qualquer acto ou operação particular manifeste uma propensão para renovar o mesmo acto ou operação, sem ser impulsionado por raciocínio ou processo algum de entendimento.

DIZEMOS: essa propensão é o efeito do costume.

NÃO PRETENDEMOS ter dado a razão de semelhante propensão.

SALIENTAMOS SÓ um princípio da natureza humana, reconhecido universalmente, muito conhecido pelos seus efeitos.

CONTENTEMO-NOS com esta constatação, enquanto princípio último de «todas as nossas conclusões a partir da experiência

A NOSSA ASSERÇÃO é exprimível nesta proposição muito inteligível:

 «Após a conjunção constante de dois objectos somos determinados pelo costume a apenas esperar um a partir do aparecimento do outro

 E, até SE ASSIM NÃO FOSSE:

como explicaríamos que somos capazes de tirar uma inferência de mil casos, que não conseguimos tirar de um único caso, que de modo algum difere dos restantes? A razão não procede assim. As conclusões que retira da consideração de um círculo são as mesmas que formaria após a inspecção de todos os círculos do universo.

 {Comentário 7 – E então? Daqui se vê que o conhecimento racional dedutivo dá “muito menos trabalho” do que o conhecimento pela experiência, e enquanto não subsumirmos este naquele, não temos razões para estar satisfeitos…}

 

POR CONSEGUINTE,

«todas as inferências a partir da experiência são efeitos do COSTUME, não do raciocínio

 ASSIM,

«o COSTUME é o grande guia da vida humana

 SEM A SUA INFLUÊNCIA,

«seríamos plenamente ignorantes em toda a questão de facto situada além do que está imediatamente presente à memória e aos sentidos

 NUNCA SABERÍAMOS,

«ajustar os meios aos fins»

ou

«empregar as nossas potências naturais na produção de qualquer efeito.»

 CESSARIA

«toda a acção» e a «principal parte da especulação.»

 {Comentário 8 – Mas como temos esta aptidão natural, além daqueloutra do raciocínio lógico abstracto, – isto é, “descondicionado” da “causalidade que preside à realidade existente” –, devemos interpretar o que a experiência mostra na inteligência de um quadro de conhecimento dedutivo que a justifique, o que… “poupa imenso trabalho” , permite descobrir … “muitos inobservados” e,… hipostasiar alguns “inobserváveis”  a “cartografar” efeitos ainda inexplicados?}


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publicado por vbm às 14:49
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6 comentários:
De Anónimo a 8 de Março de 2005 às 10:15
Ena! Sete! Parabéns, mestre. Assim é que é. Um dia tens de me explicar a taxa desse crescimento: 1ª & 2ª gerações. :)vbm
</a>
(mailto:vasco@yahoo.com)


De Anónimo a 8 de Março de 2005 às 00:45
Bem,bem,não me posso queixar.Já tenho SETE!Peter
(http://conversasdexaxa3.blogs.sapo.pt)
(mailto:bric_a_brac@sapo.pt)


De Anónimo a 6 de Março de 2005 às 17:25
Neto e neta!, meu caro! Nasceram ambos há seis meses, numa diferença de quatro dias, já quase duvidava de uma descendência fértil, e eis que tudo se resgata numa continuidade assegurada, e reserva de potencial de alargar os resultados! Bem possível que no século 22, ainda por cá ande directa descendêndia aqui do «je»! eh eh ehvbm
</a>
(mailto:vascobizarro@yahoo.com)


De Anónimo a 6 de Março de 2005 às 14:30
Estou a publicar fotos de cidades, mas não só. Nada de pessoal. Como vai a neta?Peter
(http://oblogdopeter.blogspot.com)
(mailto:bric_a_brac@sapo.pt)


De Anónimo a 5 de Março de 2005 às 14:07
É... Não 'vivo' muito a blogosfera! Optei por emitir escritos digitalizados, que de comum têm serem do «passado», mas que, na altura, algo me ensinaram. Mas não vibro, propriamente, com o que por aqui edito!vbm
</a>
(mailto:vascobizarro@yahoo.com)


De Anónimo a 4 de Março de 2005 às 12:29
Continuas às voltas com o DHume? Bom fds.Peter
(http://conversasdexaxa3.blogs.sapo.pt)
(mailto:bric_a_brac@sapo.pt)


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