Quarta-feira, 17 de Março de 2004
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Terça-feira, 16 de Março de 2004
Ainda Platão # 9

Consideraremos três hipóteses

 

Qualificação 2.1 — Valores de ‘x’ =  particulares concretos.

A tese (A) fica então:

(A*) Toda a propriedade universal é exemplificada por, pelo menos, um particular concreto, em alguma ocasião.

Esta versão é vulnerável a contra-exemplos imediatos: não permite universais de ordem 1, exemplificados por particulares abstractos (p.e., conjuntos de números); nem permite propriedades universais de ordem superior a 1 (p.e., peso, massa, forma, etc.)

Qualificação 2.2 —  Valores de ‘x’ = particulares concretos;

                            Valores de ‘P’ = propriedades de ordem 1.

A tese fica:

     (A**) Toda a propriedade universal de ordem 1 tem pelo menos um particular concreto como exemplo em pelo menos uma ocasião.

Esta é considerada a formulação standard do realismo aristotélico, mas continua a excluir os universais  de ordem 1 exemplificados por particulares abstractos (p.e., a propriedade de ser um número primo).

Qualificação 2.3 —  Valores de ‘x’ = particulares concretos;

                                  Valores de ‘P’ = sem restrições.

A tese fica:

  (A***) Para qualquer propriedade universal ou ela é exemplificada por particulares concretos, ou há uma cadeia de exemplos com ela associada cujo términus são particulares concretos.


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Segunda-feira, 15 de Março de 2004
Ainda Platão # 8

Começaremos por qualificar a tese do

5 — Realismo aristotélico

Informalmente, a ideia é que a existência de um universal depende da existência de exemplos (ou é determinada pela existência de coisas que o exemplificam).

A primeira qualificação é a já referida quanto ao carácter intemporal da exemplificação:

Qualificação 1 — Toda a propriedade universal é exemplificada por, pelo menos, uma coisa em alguma ocasião:

    (A)          "P ( Universal P ® $x  $t  x E Pt )  [Nota:- ‘t’ toma valores em tempos]

Esta qualificação, conhecida como o princípio da exemplificação («Instantiation principle»), permite admitir como universais propriedades físicas porventura não exemplificadas, mas que o venham a ser no futuro, ou o hajam sido no passado.

A segunda qualificação será a de introduzir restrições nas variáveis ‘x’ e ‘P’, isto é, precisar de que coisas é que se quer falar?


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Domingo, 14 de Março de 2004
Ainda Platão # 7

4 ­­— Têm todos os universais exemplos ou haverá universais não exemplificados?

Os realistas dividem-se quanto à resposta a dar a esta questão (Q) há universais que não são exemplificados (E) por nada?  $P ( Universal P Ù Ø $x   x E P)?   

O realismo platónico responde que sim: há propriedades universais que não são exemplificadas por nenhuma coisa­: $P (Universal P Ù Ø $x  x E P).

O realismo aristotélico responde que não: toda a propriedade universal é exemplificada, pelo menos, por uma coisa: "P (Universal P ® $ x  x E P)

Note-se que é comum às duas correntes do realismo admitir a existência de universais: $P  Universal P. E, também, o próprio predicado E = ‘é exemplificado por’ deve ser interpretado num sentido intemporal, i.é., no sentido de ter sido (passado) ou estar a ser (presente) ou vir a ser (futuro) exemplificado.-

à Vamos confrontar estas duas teses, assim como a relação lógica que têm com a distinção do par realismo transcendente versus realismo imanente e tentar avaliar qual das teses acarreta mais desvantagens.


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Sábado, 13 de Março de 2004
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       ATHENASM.JPG

“O semelhante conhece o semelhante”


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Sexta-feira, 12 de Março de 2004
Ainda Platão # 6

Podemos sintetizar estas correntes do realismo no quadro seguinte:

Variedades do Realismo Metafísico

Localização

Exemplificação

Particularidade

Estão os Universais

no Mundo Físico?

Há Universais não

exemplificados por nada?

São os particulares

objectos sui generis?

                                                                                                                                                                                                      

Sim

Não

Sim

Não

Sim

Não

Realismo

Imanente

Realismo

Transcendente

Realismo

Platónico

Realismo

Aristotélico

Dualismo

Monismo

 

Todos os Universais

estão

no mundo físico

 

Nenhum Universal está

no mundo físico

 

Há.

Os Universais são

ante rem.

(= prévios às coisas)

 

Não há.

Os Universais são

in rebus.

(= nas coisas)

Há 2 regiões ontológicas:

os universais e os particulares. Primitivamente, há universais e particulares.

Primitivamente só há universais.

Os objectos são só fluxos de qualidades universais

 Supondo que há universais, coloquemos a questão seguinte:


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Quinta-feira, 11 de Março de 2004
Ainda Platão # 5

3 — Variedades de Realismo

 

Há diversas formas de defender a tese de que há universais, a tese distintiva do realismo metafísico. Elas diferem quanto ao tipo de resposta que dão a questões do seguinte género:

·          Onde é que estão os Universais localizados? Num 3º reino que não é mental nem físico?

Qual é a relação entre os universais e o mundo físico, i.é., o mundo dos particulares concretos que podem exemplificar os universais, o mundo das coisas que ocupam regiões do espaço em ocasiões dadas?

·          Qual é a natureza da relação entre Universais e Particulares? Qualquer realista sabe que essa relação é a de exemplificação ou instanciação. Mas, há Universais sem exemplos? Ou é necessário que um Universal tenha exemplos?

·          Qual é o estatuto da categoria de Particulares em relação à categoria de Universais? São os particulares ou objectos sui generis não-redutíveis a outras entidades?

Podemos assim distinguir os seguintes tipos de realismo metafísico

o        O realismo transcendente do realismo imanente

o        O realismo platónico do realismo aristotélico

o        O realismo monista do realismo dualista

Para o realismo transcendente, nenhum universal tem qualquer localização no mundo físico, ou seja no mundo dos particulares concretos que eventualmente os exemplifiquem; para o realismo imanente, todos os universais têm de algum modo uma localização no mundo físico, o mundo dos particulares concretos que os exemplificam.

O realismo platónico e o aristotélico dividem-se segundo a resposta dada à questão de haver ou não universais não exemplificados, afirmativa e negativa, respectivamente. Debateremos esta questão em detalhe.

O realismo monista nega que os particulares sejam objectos sui generis, irredutíveis a outras entidades; assim, Platão para quem os particulares são agregados de universais, isto é, aceita que há particulares, mas a sua natureza não é sui generis, são antes feixes de propriedades, tropos. O realismo dualista, posto que aceita a existência de universais, mas considera os particulares como objectos sui generis não redutíveis a outras entidades, dualiza a realidade ontológica em substâncias heterogéneas.


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Quarta-feira, 10 de Março de 2004
Ainda Platão # 4

O Realismo, em metafísica, admite a existência de universais, ou seja, de objectos repetíveis que estão integralmente presentes em muitos objectos, distintos uns dos outros; compromete-se em que pelo menos alguns atributos são universais, o que significa que numericamente o mesmo e um só atributo pode ser possuído por uma infinidade de objectos distintos; e explica a concordância de atributo em objectos distintos pela razão destes exemplificarem um e o mesmo universal, ou seja há identidade numérica de atributo.

 

O Nominalismo, ao contrário, nega a existência de universais e só reconhece haver objectos irrepetíveis, i.é., particulares; não admite que haja identidade numérica de atributos entre particulares distintos; identifica a concordância de atributo e a predicação ou como factos primitivos (nominalismo eleminativista); ou identifica os atributos a classes (que são aceites como particulares abstractos), pelo que o mero atributo apenas confere uma identidade numérica de classe aos particulares, os quais concordam em atributo se e só se pertencerem à mesma classe (nominalismo de classes); ou identifica os atributos com predicados (que são particulares), sendo o mesmo atributo a simples propriedade de o mesmo predicado ser aplicável a diferentes objectos, que, assim, terão o mesmo atributo se e só se satisfizerem um e o mesmo predicado (nominalismo de predicados); ou concebe os atributos como propriedades inseparáveis dos particulares que as têm, tropos, interpretando o mesmo atributo como uma mera semelhança de tropos (inexplicada e tomada como facto primitivo), e aceitando a concordância de atributo entre particulares distintos se e só se os respectivos tropos forem semelhantes (nominalismo de tropos).


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Terça-feira, 9 de Março de 2004
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amor.jpg

Tu já tinhas um nome, e eu não sei
Se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor.

(madrigal, eugénio de andrade)



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Segunda-feira, 8 de Março de 2004
Ainda Platão # 3

2 — O «um-em-muitos» e a questão dos Universais

Classificamos, agrupamos os objectos de maneiras diversas, de acordo com as suas características, qualidades, aspectos. Embora algumas maneiras de classificar os objectos dependam dos nossos próprios interesses e objectivos, há características dos objectos que conduzem a classificações que não são humano-dependentes, e reflectem as divisões presentes nas coisas elas mesmas; ou seja, há similaridades, semelhanças entre coisas, que são objectivas, prévias às nossas próprias classificações.

Diremos que objectos são semelhantes quando concordam em atributo, i.é., quando têm pelo

menos uma propriedade em comum, ou seja quando há uma relação na qual ambos estão.

Assim, aparentemente há algo de igual [o atributo] em coisas que são diferentes, há coisas que são uma e, simultaneamente, muitas: é o que, na literatura filosófica se designa pelo o «um-em-muitos» («one-over-many»). Como explicar este facto?

A história regista dois padrões de solução para o problema do um-em-muitos, conhecidos pelas designações de REALISMO e NOMINALISMO, sustentando teses diametralmente opostas, a saber:

REALISMO (Universalismo)

 

NOMINALISMO (Particularismo)

·          Há universais

       {A tese é silenciosa quanto a particulares:

       pode haver ou não haver}

·          Não há universais

       {Mas, como há o Ser e não há o Nada,

        Tudo são objectos particulares.}

·          Alguns atributos são universais

·          Nenhum atributo é universal

·          Os universais explicam as concordâncias em atributo e a natureza da predicação.

·          Os universais não são precisos para explicar as concordâncias em atributo, nem a natureza da predicação; outras explicações estão disponíveis e são melhores.

 


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