Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007
...

ESPELHO

 

Poderei recuperar o corpo

caído no fundo da água

por momentos? Juncos e lodo

e um diadema de luz cobrem-me.

Bolhas que o ar liberta. Na imagem

a figura debruçada esquece.

 

Somente quem apague a memória

liberta as suas imagens

para a não-existência imediata.

 

 

(fiama hasse pais brandão)

 


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Domingo, 21 de Janeiro de 2007
Peirce # 29

No caso de uma sensação, a multiplicidade de impressões que a precedem e determinam não é de uma natureza tal que o movimento corporal que lhe corresponda proceda de algum gânglio ou do cérebro, e talvez por essa razão a sensação não produz grande comoção no organismo corporal;

 

a sensação ela própria não é um pensamento que tenha uma influência muito forte sobre o fluxo de pensamento excepto em virtude da informação que ela possa fornecer.

 

Uma emoção, por outro lado, vem muito mais tarde no desenvolvimento do pensamento — quer dizer, vem depois do primeiro começo da cognição do seu objecto — e os pensamentos que a determinam já têm emoções que lhes correspondem no cérebro ou no gânglio principal; consequentemente, ela produz fortes movimentos no corpo e, independentemente do seu valor representativo, afecta fortemente o fluxo do pensamento.

 

Os movimentos animais a que aludo são, em primeiro lugar, e obviamente, corar, pestanejar, fitar, sorrir, franzir a testa, amuar, rir, gemer, soluçar, agitar-se, vacilar, tremer, ficar petrificado, suspirar, fungar, encolher os ombros, rugir, abatimento, trepidação, temer, etc. A estes podem talvez juntar-se, em segundo lugar, outras acções mais complicadas que, no entanto, brotam de um impulso directo e não de deliberação.»

 

(Charles Sanders Peirce, Op. cit., p. 46)


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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007
Peirce # 28

«Contudo, parece haver uma diferença entre emoção e sensação»

 

Há razões para pensar que, correspondendo a cada sentimento dentro de nós,

um movimento tem lugar nos nossos corpos.

 

Esta propriedade do signo-pensamento, uma vez que não depende racionalmente do significado do signo, pode ser comparada com aquilo a que chamei a qualidade material do signo; mas difere desta na medida em que não é estritamente necessário que ela seja sentida para que haja um signo-pensamento.

 


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Domingo, 7 de Janeiro de 2007
Peirce # 27

( ) É verdade que há diferenças entre uma emoção e uma hipótese intelectual:

no caso da última, temos razões para dizer que o predicado complexo é verdadeiro
a propósito de tudo aquilo a que o predicado hipotético simples se possa aplicar;

enquanto no caso de uma emoção isso é uma afirmação de que nenhuma razão pode ser dada,
sendo meramente determinada pela nossa constituição emocional

Mas isto corresponde precisamente à diferença entre
uma hipótese e o raciocínio de definição para definitum,

pelo que resulta que uma emoção não é senão uma sensação.»


(Charles Sanders Peirce, Op. cit., p. 46)


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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2007
Peirce # 26
«...uma emoção é sempre um predicado simples
que, por uma operação da mente, substitui
um predicado altamente complexo.»



«Se considerarmos que um predicado muito complexo exige ser explicado através de uma hipótese, então essa hipótese deve ser um predicado mais simples que substitui o complexo;

ora, quando temos uma emoção, é difícil, estritamente falando, que exista uma hipótese.


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