Sábado, 31 de Janeiro de 2004
Putnam # 8

(5)   Referência e coerência: teorias da verdade

Mas, perguntar-se-á, que verdade é esta de compreensão sem identificação? É possível atribuir o predicado de verdade a proposições, asserções , frases.

As frases — como sucessão de símbolos numa certa linguagem —, distinguem-se das asserções — um certo uso da frase em que é feita uma asserção directa, distinto de um seu uso indirecto, sem compromisso com a sua verdade; v.g., “Ela foi ontem ao cinema” vs “Se ela foi ontem ao cinema, hoje não vai.”—, e das proposições que são o conteúdo expresso por meio de um certo uso de certas frases e susceptível de ser verdadeiro ou falso.

As duas grandes correntes de teorias substanciais da verdade são:

—      as teorias da correspondência: “X é verdade se e só se X corresponde aos factos (em particular, ao facto que X representa)” ou, como dizia Aristóteles: «Verdade é dizer o que é daquilo que é e o que não é daquilo que não é; falso é o contrário.»

—      as teorias da coerência: “X é verdade se for consistente (compatível) com um certo conjunto apropriadamente definido de outras proposições.”[1]

Se a teoria da verdade como correspondência exibe uma certa circularidade: X é verdade se corresponder a um facto exterior ao sistema em que X se insere com coerência; mas, — perguntar-se-á — o que é um tal facto senão o que torna X  verdadeiro?

A teoria da verdade como coerência, por seu lado, só resolve problemas cuja solução seja compatível com o conjunto adquirido de verdades, tendendo a privilegiar um “ideal arrumador” em detrimento de um experimentalismo ousado nas “linhas de fronteira” do que se exclui  e ignora.


[1] Vide Simon Blackburn, Dicionário de Filosofia, Lisboa, Gradiva, 1997 [1994], p 453. Diz este autor que a teoria da verdade como coerência «tem dois pontos fortes: I) é verdade que testamos as crenças quanto à sua verdade à luz de outras crenças (entre elas crenças perceptivas); II) não podemos sair do nosso melhor sistema de crenças, para ver como está ele a sair-se em termos da sua correspondência com o mundo.»


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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2004
Putnam # 7

(4)   Sentido, referência e compreensão

Retomando Frege, sentido e referência mantêm-se as duas contribuições básicas da significação dos termos. Vimos como o sentido é, em geral, elucidado socialmente — divisão do trabalho social linguístico; definição operacional do termo. A referência é, em parte, determinada indexalmente — tendo em consideração a própria contribuição do objecto para a determinação do sentido (definição indexical). De qualquer modo, a referência é semântica e o sentido de um termo é consagrado pelo uso.

Temos de admitir que na linguagem natural e na comunicação em sociedade, a compreensão vem por graus, fixa-se em níveis diversos de compreensão. Identificar a referência sem equívoco não é obrigatório a todos os níveis de linguagem; para tanto há a cooperação social. Os peritos, esses sim, incluem a extensão no conceito significado pelo termo, que assim contribui para a intensão do sentido. Mas para os falantes comuns, a apreensão do sentido de um termo é uma competência defenível em graus, insuficiente para determinar a extensão.

Assim, para Putnam

(1)-  “x é água” é V sss[1] x é água.

(2)-  “x é água” é V sss x é H2O.

Embora (1) seja trivial e puramente extensional , a frase “x é água” tem um sentido coerente com muitas outras frases em que água está presente. Putnam defende (1) na linguagem comum e não (2). A verdade de (2) é, a asserida na linguagem especializada dos peritos. A questão é que, se exigissemos do utente comum da língua o “conhecimento identificador” de cada termo, nós estaríamos exigindo o máximo de compreensão, o que não corresponde à prática social da linguagem.

No fundo, é essa exigência que a teoria descritivista faz: — compreender um termo requer o conhecimento identificador do objecto x referido pelo termo t; o uso competente de um termo faz-se quando existe a compreensão do termo. Esta exigência recai sobre o «eu», sujeito indivdual, e não sobre o «eu» entendido como comunidade linguística — que recorre e compra o sentido aos especialistas, como na teoria de Putnam. As duas teses opoêm-se. Podemos formalizá-las simplificadamente assim:

(1)  (C ® I)    (Descritivismo)

Necessáriamente se há compreensão há conhecimento identificador.

(2) ◊  (C & ~I)      (Putnam)

É possível haver compreensão sem conhecimento identificador.



[1]  V sss – verdade se e só se


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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2004
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cying_tokyo-girl2.jpg «Everybody wants to be found»


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Putnam # 6

Putnam exemplifica este domínio da ignorância com o seu próprio caso de:

(1)- «indistinção entre o seu conceito de ‘olmo’ e ‘faia’, que no seu idiolecto se equivalem»; contudo, aceita no seu idiolecto que

(2)- «são desiguais as extensões de um e outro», porque não ignora que

(3)- «faia¹olmo.»

A este argumento, Searle objecta [1] que (3) só pode ser:

(4)-«um conhecimento conceptual do que diferencie uma espécie de árvore da outra.» Logo,

(5)- «(1) é falso»: há distinção dos conceitos no idiolecto de Putnam.

Temos de convir que Searle pode ter razão, ao repudiar (3) no idiolecto de Putnam, — porventura não pela razão invocada, (4) —, mas por (3) ser uma “asserção importada” da comunidade dos falantes em geral para o idiolecto de Putnam, com um valor de verdade “suspenso” (nem verdadeiro nem falso) dada a indistinção conceptual que confessa não ultrapassar.

Contudo, o que é compreender? Não é verdade que todos pensamos conjecturalmente? Na oralidade corrente, um estereótipo é o conhecimento convencional do que algo parece ser, a figura que tem, como age ou é, um algo X. O facto de um aspecto específico (por exemplo, as listas pretas do pelo de um tigre) se incluir no estereótipo associado à palavra X, não implica que seja uma verdade analítica que todos os Xs tenham esse aspecto. Embora a maioria dos estereótipos captem características possuídas pelos membros paradigmáticos da classe de um termo, a informação contida num estereótipo não tem que ser forçosamente correcta — por exemplo, o estereótipo do ouro é o seu aspecto amarelo, embora o ouro químicamente puro seja quase branco.

Embora o esterótipo não seja necessário nem suficiente para a fixação da referência, ele abrange o conjunto de propriedades aparentes de um termo. O facto importante é que os falantes adquirem-no no uso dos termos e sem eles seria difícil uma comunicação bem sucedida; o estereótipo é, assim, normativo e social.

 



[1] Vide, John Searle, op. cit., p 254-255.

 


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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2004
Putnam # 5

(2)   A hipótese social da divisão do trabalho linguístico;

estereótipo e comunicação

Segundo Putnam, na comunidade dos falantes constata-se que há uma divisão de trabalho linguístico que reflecte o fenómeno mais amplo da divisão social do trabalho humano. A divisão do trabalho linguístico decorre da divisão não-linguística do trabalho. Há, claro, inúmeras palavras que não denotam qualquer divisão de trabalho linguístico, v.g., “cadeira”. Contudo, quando há uma prática de trabalho social que forja termos para designar estados de coisas diferentes — por exemplo ‘ouro de 18 k’ (o da ourivesaria portuguesa) versus ‘ouro de 14 k’ (o da África do Sul); ‘ovos de aviário’ (criação intensiva) versus ‘ovos de campo’ (agricultura biológica) — se tal distinção interessar  ser utilizada ou empregada pelos que não a conhecem, os termos são adquiridos pela comunidade dos falantes em geral, desde que haja a possibilidade de recurso à subclasse de falantes especial que conhece e emprega tal distinção de termos. Se só os conhecedores tiverem uma razão para usar um termo e os restantes não, o termo não é usado por estes.

Esta hipótese de Putnam — presentemente, de aceitação consensual — tem um importante corolário para a sua filosofia da linguagem, a saber[1]:

—       “Sempre que um termo está  sujeito a uma divisão de trabalho linguístico, o falante comum que o aplica nada tem que lhe fixe a extensão.”

—       “Em particular, o seu «estado psicológico individual», seguramente não fixa a sua extensão, e só a situação sócio-linguística da comunidade linguística, à qual o falante pertence, fixa a extensão.”

Se conjugarmos esta situação de as palavras serem em geral determinadas socialmente e, em parte, como vimos, indexalmente — a extensão do que significam depende da natureza actual das coisas que lhes servem de paradigma e cuja estrutura interna é em geral desconhecida dos falantes — conviremos que a linguagem corrente dos falantes é largamente fundada em conhecimento estereotipado.

 



[1] Hilary Putnam, op. cit., p 229.


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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2004
Putnam # 4

(2)   Estão os significados na cabeça? ou ... «está» a cabeça nos significados?

No argumento da Terra Gémea — uma espécie de «experiência de pensamento» («gedanken experiment») — Putnam procura mostrar que um mesmo estado psicológico, uma igual intensão de dois falantes na utilização de um mesmo termo pode significar uma referência de diferentes extensões.

Imagine-se que, «numa galáxia distante, havia um planeta muito semelhante ao nosso, com pessoas como nós, falando uma língua indistinguível do inglês.»[1] Nesta Terra Gémea podemos supor que tudo é exactamente como na Terra, salvo a peculiaridade de o líquido que chamamos ‘água’ não é H2O, mas um líquido diferente cuja fórmula química complexa abreviámos para XYZ.

Não obstante, suporemos que XYZ é perceptualmente indistinguível da água, quer no sabor, quer na aparência, quer na sua distribuição por mares, lagos e rios em ambos os planetas[2].

Agora, vejamos: em 1750, a expressão «água» na Terra, antes de se conhecer a sua composição química, referia-se, objectivamente — não obstante tal desconhecimento —, a H2O; enquanto que no planeta gémeo referia-se a XYZ. Assim, embora as pessoas de um e outro planeta estivessem todas no mesmo estado psicológico em relação ao termo ‘água’, elas tinham diferentes extensões (H2O ¹ XYZ), pelo que a intensão não determina a extensão, que independe do (des)conhecimento dos falantes.

Poder-se-á contudo objectar: porquê aceitarmos que a palavra ‘água’ tenha a mesma extensão em 1750 e em 1950, em ambas as Terras? A lógica dos termos relativos a categorias naturais, como ‘água’ ou ‘tigre’, tem implícita a pressuposição empírica de que qualquer aplicação ostensiva do termo — “Isto é água”, “Aquilo é um tigre” — acarreta o que pode designar-se por uma condição necessária e suficiente revogável, falsificável: “Aquele líquido é água se tiver idêntica estrutura à desta substância”, “Aquele animal é um tigre se for da mesma espécie daquele carnívoro da selva.” Ou seja, ainda que haja uma primeira e aproximada identificação do género de cada substância através de certas características superficiais (estereótipo), o ponto crucial é que a extensão da palavra é determinada pela relação teorética de semelhança entre os indíviduos denotados pela mesma palavra — x é o mesmo líquido que y; z é o mesmo animal que h.

Ora, a razão para preservar a extensão de uma palavra deriva de, a possibilidade de a futura investigação científica poder descobrir que a suposta micro-estrutura de dado objecto é falsa relativamente ao que a experiência técnicamente mais precisa revele ser afinal o caso, não alterar o facto desta ser a micro-estrutura real do objecto quer antes quer depois da descoberta. É assim ela [a estrutura real do objecto] que determina a extensão do significado de um termo, e não «o que está na cabeça» — que é sempre conhecimento conjectural e falsificável por um contra-exemplo factual válido. Sempre, o movimento requerido é o de ajustamento da mente ao mundo, pelo que a cabeça está sim nesse tropismo para a inteligibilidade dos factos do mundo, do que os termos da linguagem são a expressão.



[1] Cf. John Searle, Intencionalidade — um ensaio de filosofia da mente, trad. de Madalena Poole da Costa, Relógio d’Água, 1999 [1983], p 255.

[2] Alguns críticos do argumento de Putnam questionaram as suas intuições quanto a uma Terra Gémea com doppelgängers dos humanos com setenta por cento de XYZ nos seus corpos e uma neurofisiologia homotípica, ‘partícula a partícula’ ...  Como, porém, esta irrealidade não afecta a validade do argumento, a objecção é discipienda.


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Domingo, 25 de Janeiro de 2004
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via lactea8.gif


«We shall suppose that somewhere in the galaxy
there is a planet we shall call Twin Earth.

Twin Earth is very much like Earth;
in fact, people on Twin Earth even speak English.

In fact, ( ) the reader may suppose
that Twin Earth is exactly like Earth.

( ) One of the peculiarities of Twin Earth
is that the liquid called ‘water’ is not H2O

but a different liquid whose chemical formula
is very long and complicated.

I shall abbreviate this chemical formula
simply as XYZ

(Hilary Putnam, «The Meaning of ‘Meaning’», in Mind, Language and Reality, Philosophical Papers, Vol. 2, Cambridge University Press, 1975, p. 223)


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Putnam # 3

O «sinn» serve para três coisas simultâneas:

  • Elucidar o problema da fixação da referência (extensão) de um termo, isto é, dá o critério de identificação da referência;
  • Determinar o conteúdo (conceptual) de um termo e a forma como ele contribui para o conteúdo das proposições nas quais o termo ocorre;
  • Serve também para fazer a identificação daquilo que é compreendido quando se usa o termo correctamente.

Note-se que o «sinn», que determina a referência, pode ser considerado não psicológico — é abstracto, como dissémos—; mas, o acesso ao «sinn» (o «grasping», a captação do sentido) é sempre de natureza psicológica.

Em resumo, podemos fomular como segue a tese de Frege (e Carnap):

  • Conhecer o sentido de um termo consiste em estar num certo estado psicológico (que corresponde à apreensão do seu «sinn»).
  • A intensão de um termo determina a sua extensão.

Assim, o estado psicológico que corresponde à apreensão da intensão («sinn») de um termo determina a sua extensão. Ora, Putnam vai demonstrar que este resultado é falso.

Frege não se limita a mostrar que a referência é dependente da fixação do sentido, o «sinn»-abstracto; vai um passo adiante e tenta argumentar que é a compreensão subjectiva (seja individual ou colectiva) do sentido, a intensão, que determina a referência. É contra isso que Putnam constroi o seu famoso argumento da Terra Gémea.

O puzzle de Frege mostra claramente que o significado não pode ser só a referência, porque há diferença no sentido das expressões, logo o significado não se reduz à referência; contudo, o argumento do Putnam, embora não  o que Frege defende no seu  puzzle, vai em sentido contrário mostrar que o que “está na cabeça” não é suficiente para dar o significado de uma palavra (a história da Terra Gémea).

Assim, a argumentação de Putnam vai mostrar que embora o significado não se reduza à referência tem de a incluir como componente; enquanto que Frege, depois de concluir que a referência não é suficiente para a fixação do significado, vai para o outro extremo e tenta argumentar que a referência é determinada pelo que está na cabeça, pela intensão.

 


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Sábado, 24 de Janeiro de 2004
Putnam # 2

(1)   Os conceitos de intensão e extensão de um termo: Frege e Putnam.

Gottlob Frege (1848-1925) é o fundador da lógica moderna ou lógica matemática que superou as limitações da lógica de Aristóteles. Esta baseava-se na análise de todo e qualquer  enunciado pela combinação dos seus termos, eles próprios associados e comprometidos com a forte ontologia de observação do mundo real[1].

Frege criou a ideografia, linguagem dos sinais e regras do cálculo lógico[2]. A ideografia permite também construir novas proposições a partir de proposições dadas, utilizando os conectores lógicos (&, Ú, Ø, ®, ↔)[3] e a quantificação. A sintaxe lógica dá seus primeiros passos com Frege.[4] Doravante, a lógica desenvolve more geometrico o seu próprio corpo de enunciados, independentizando-se da linguagem natural.[5]

No seu artigo “Sentido e denotação” («Sinn und bedeutung», 1892), Frege distingue a intensão ou sentido («sinn») de uma expressão linguística — o conceito associado ao uso do termo, aquilo por intermédio do qual podemos identificar as coisas que são a extensão do termo — da denotação ou extensão, que é a referência da expressão. É a intensão de um termo que determina a sua extensão. A inversa não é verdadeira. Dois termos não podem diferir em extensão e ter a mesma intensão. O «sinn» de uma expressão linguística determina, assim, autónomamente, a referência da expressão.

Contudo, na linguagem, nomes ou signos diferentes, do mesmo objecto, designam modos de apresentação distintos desse objecto, equivalendo-se, porém, numa igualdade de sentido das expressões em que ocorrem. O puzzle de Frege, a interrogação sobre se a igualdade a=b é a igualdade entre os objectos ou entre os nomes eles próprios, tem por solução que ela é a do sentido. Com efeito, a igualdade não pode ser a dos objectos denotados. E também não é só a igualdade entre os símbolos utilizados para designar as coisas. Como símbolo, “a”¹“b”. A igualdade é a do sentido, — a intenção com “s” —, do objecto designado. Seja, por exemplo, o ponto comum (p) das bissectrizes (a, b e c) dos ângulos de um triângulo:

      

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<p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 36pt; TEXT-INDENT: -18pt; TEXT-ALIGN: justify; tab-stops: list 36.0pt; mso-list: l0 level1 lfo1"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-weight: bold">(1)<span style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">   </span></span><strong><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Os conceitos de intensão e extensão de um termo: Frege e Putnam.<o:p></o:p></span></strong></p> <p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Gottlob Frege (1848-1925) é o fundador da lógica moderna ou <em>lógica matemática</em> <span style="COLOR: gray">que superou as limitações da</span> lógica de Aristóteles. Esta baseava-se na análise de todo e qualquer<span style="mso-spacerun: yes">  </span>enunciado pela combinação dos seus termos, eles próprios associados e comprometidos com a forte ontologia de observação do mundo real<a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" name="_ftnref1" href="http://blogs.sapo.pt/inline_editor/pd_edit.htm#_ftn1"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote">[1]</span></span></a>.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Frege criou a ideografia, linguagem dos sinais e regras do cálculo lógico<a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" name="_ftnref2" href="http://blogs.sapo.pt/inline_editor/pd_edit.htm#_ftn2"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote">[2]</span></span></a>. A ideografia permite também construir novas proposições a partir de proposições dadas, utilizando os conectores lógicos (&amp;, </span><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Symbol; mso-bidi-font-size: 12.0pt; mso-ascii-font-family: Verdana; mso-hansi-font-family: Verdana; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><span style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">Ú</span></span><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt">, </span><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Symbol; mso-bidi-font-size: 12.0pt; mso-ascii-font-family: Verdana; mso-hansi-font-family: Verdana; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><span style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">Ø</span></span><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt">, </span><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Symbol; mso-bidi-font-size: 12.0pt; mso-ascii-font-family: Verdana; mso-hansi-font-family: Verdana; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><span style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">®</span></span><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt">, &harr;)<a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" name="_ftnref3" href="http://blogs.sapo.pt/inline_editor/pd_edit.htm#_ftn3"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote">[3]</span></span></a> e a quantificação. A sintaxe lógica dá seus primeiros passos com Frege.<a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" name="_ftnref4" href="http://blogs.sapo.pt/inline_editor/pd_edit.htm#_ftn4"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote">[4]</span></span></a> Doravante, a lógica desenvolve <em>more geometrico</em> o seu próprio corpo de enunciados, independentizando-se da linguagem natural.<a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" name="_ftnref5" href="http://blogs.sapo.pt/inline_editor/pd_edit.htm#_ftn5"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="mso-special-character: footnote">[5]</span></span></a><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt">No seu artigo “Sentido e denotação” («<em>Sinn und bedeutung</em>», 1892), Frege distingue a <em>intensão</em> ou sentido («<em>sinn</em>») de uma expressão linguística — o conceito associado ao uso do termo, aquilo por intermédio do qual podemos identificar as coisas que são a extensão do termo — da denotação ou <em>extensão</em>, que é a referência da expressão. É a intensão de um termo que determina a sua extensão. A inversa não é verdadeira. Dois termos não podem diferir em extensão e ter a mesma intensão. O <em><span style="COLOR: gray">«sinn»</span></em><span style="COLOR: gray"> de uma expressão linguística determina, assim, autónomamente, a referência da expressão.</span><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Contudo, <span style="COLOR: gray">na linguagem,</span> nomes ou signos diferentes, <span style="COLOR: gray">do mesmo objecto,</span> designam <em>modos de apresentação</em> distintos desse objecto, equivalendo-se, porém, numa igualdade de sentido das expressões em que ocorrem. O <em>puzzle</em> de Frege, a interrogação sobre se a igualdade <em>a</em>=<em>b</em> é a igualdade entre os objectos ou entre os nomes eles próprios, tem por solução que ela é a do sentido. Com efeito, a igualdade não pode ser a dos objectos denotados. E também não é só a igualdade entre os símbolos utilizados para designar as coisas. Como símbolo, “<em>a</em>”</span><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Symbol; mso-bidi-font-size: 12.0pt; mso-ascii-font-family: Verdana; mso-hansi-font-family: Verdana; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><span style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">&sup1;</span></span><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt">“<em>b</em>”. A igualdade é a do sentido, — a intenção com “<span style="COLOR: gray">s</span>” —, do o<a href="http://"></a>bjecto designado. Seja, por exemplo, o ponto comum (<em>p</em>) das bissectrizes (<em>a</em>, <em>b</em> e <em>c</em>) dos ângulos de um triângulo:<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><span style="mso-tab-count: 2">      <imagem disponível="" não=""></imagem><a href="http://"></a>&lt;Imagem não disponível&gt;<a href="http://"></a>                  </span><imagem não-disponível=""></imagem><o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt">O ponto de intercepção entre <em>a</em> e <em>b</em> é o mesmo que o ponto de intercepção entre <em>b</em> e <em>c</em>. Tal ponto, <em>p</em>, tem dois modos de designação. O mesmo objecto é apresentado de diferentes pontos de vista, cada qual com a sua própria inten<em><span style="COLOR: gray">s</span></em>ionalidade, mas ambos referenciando um mesmo objecto do mundo exterior.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Em contextos indirectos ou opacos — como quando citamos o que outrem pensa ou acredita — a <span style="COLOR: gray">referência</span> é o sentido <span style="COLOR: gray">habitual</span> da proposição (pensamento), <span style="COLOR: gray">que conserva</span> o seu valor de verdade (V; F). Embora a imagem associada ao uso de termo por cada falante seja privada, o «<em>sinn</em>» de uma frase tem um carácter público e objectivo, e não deve ser privado; é abstracto, mobiliza um mesmo <em>tipo</em> qualitativo de «estado psicológico», independente do ambiente em que os sujeitos se encontrem, ainda que cada sujeito apreenda um espécime («<em>token</em>») específico do mesmo estado psicológico-TIPO.<o:p></o:p></span></p> <p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><a href="http://"></a></span> </p> <div style="mso-element: footnote-list"> <div id="ftn1" style="mso-element: footnote"> <p class="MsoFootnoteText" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" name="_ftn1" href="http://blogs.sapo.pt/inline_editor/pd_edit.htm#_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-special-character: footnote">[1]</span></span></span></a><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> Diz Claude Imbert, no seu ensaio sobre “Gottlob Frege”, in <em>Filosofia analítica</em>, Gradiva, copyright <em>Encyclopédia Universalis</em>, pp 39: <em><span style="COLOR: gray">«compondo a proposição a partir de um conceito (ou função) saturado por um argumento, [Frege] pôs fim ao aristotelismo lógico, que analisa todo o enunciado numa combinação de termos, e à ontologia associada a semelhante análise.»</span></em></span></p> <p class="MsoFootnoteText" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><em><span style="COLOR: gray"></span></em></span><a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" name="_ftn2" href="http://blogs.sapo.pt/inline_editor/pd_edit.htm#_ftnref2"><span class="MsoFootnoteReference"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-special-character: footnote">[2]</span></span></span></a><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> Deve-se-lhe o cálculo axiomático das proposições, a teoria da quantificação e os preliminares da sintaxe lógica. A proposição é composta a partir de um conceito (ou função) saturado por um argumento. O conceito (ou predicado) pode ser verificado por todos, alguns ou nenhum dos argumentos, o que origina a proposição universal, particular ou negativa. Com a teoria da quantificação inicia-se a lógica dos conceitos. </span><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US">Cf. <em>op. cit.</em>, pp 40-41.</span></p> <p class="MsoFootnoteText" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"></span><a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" name="_ftn3" href="http://blogs.sapo.pt/inline_editor/pd_edit.htm#_ftnref3"><span class="MsoFootnoteReference"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-special-character: footnote">[3]</span></span></span></a><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> Os símbolos usados actualmente não são os inventados por Frege e utilizados na sua obra <em>Begriffsschrift </em>(1879), que embora judiciosos são de difícil leitura e de grafismo obscuro. </span><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US">Cf. <em>op. cit.</em>, p 40.</span></p> <p class="MsoFootnoteText" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"></span><a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" name="_ftn4" href="http://blogs.sapo.pt/inline_editor/pd_edit.htm#_ftnref4"><span class="MsoFootnoteReference"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-special-character: footnote">[4]</span></span></span></a><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> No seio do cálculo, haverá que distinguir os conectores lógicos cujos argumentos e valor constituem valores de verdade, das funções (predicados) cujos argumentos são indivíduos e os valores um valor de verdade. A distinção é possível a nível sintático. Assim, o conceito (função) é representado na língua lógica por um sinal insaturado, onde se evidencia o lugar vazio do argumento: Ф ( ). Este lugar vazio pode assinalar-se por uma letra sintáctica correspondente ao elemento da linguagem-objecto a estudar na metalinguagem a que os próprios conectores lógicos também pertencem. </span><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US">Cf. <em>op. cit.</em>, p 44-45.</span></p> <p class="MsoFootnoteText" style="MARGIN: 0cm 47.2pt 0pt 0cm; TEXT-ALIGN: justify"><span lang="EN-US" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"></span><a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" name="_ftn5" href="http://blogs.sapo.pt/inline_editor/pd_edit.htm#_ftnref5"><span class="MsoFootnoteReference"><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-special-character: footnote">[5]</span></span></span></a><span lang="PT" style="FONT-SIZE: 8pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt"><span style="mso-spacerun: yes">  </span><span style="COLOR: gray">Ao especificarmos a estrutura formal e o vocabulário de uma linguagem na qual queiramos definir conceitos semânticos, a ocorrência de paradoxos é de importância crucial. Recorrer-se-á, assim,</span> à sintaxe lógica e à metalinguagem para resolver antinomias clássicas como “a do mentiroso” — “Minto”: se V, é F; se F, é V. Estes paradoxos ocorrem em linguagens «<em>semanticamente fechadas</em>» em que a antinomia contém as expressões que emprega, os “nomes” dessas expressões, os termos «<em>verdadeiro</em>» e «<em>falso</em>» e a adequada afirmação destes termos na própria linguagem em que ocorre a antinomia. Como o resultado é absurdo, temos de abandonar alguns dos antecedentes dos quais se deduz, sem abdicar da validade das leis da lógica da própria linguagem. Quebrando o «<em>fechamento semantico</em>» usamos <em>duas</em> linguagens diferentes: a primeira, <em>linguagem-objecto</em>,<span style="mso-spacerun: yes">  </span>é aquela em que falamos e acerca da qual falamos como objecto de discussão; a segunda, <em>metalinguagem</em>, na qual «falamos» acerca da primeira, e nos termos da qual construiremos a definição de verdade para a primeira linguagem. <em>Vide</em>, Alfred Tarski “A concepção semântica da verdade e os fundamentos da semântica”, in <em>Existência e Linguagem – Ensaios de metafísica analítica</em>, Presença, 1990, pp 83-9. <span style="COLOR: gray">Só deste modo podemos prosseguir com sentido a construção <em>more geométrico</em> de um corpo de enunciados independente da <a href="http://"></a>linguagem natural, para modelação da inteligibilidade de um objecto dado.</span><o:p></o:p></span></p> </div> </div>

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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2004
Putnam # 1

«A verdade,

o mais belo nome da realidade,

é uma vagabundagem divina.»

                            (Platão)

 

Sentido e referência — da lógica da significação à apreensibilidade ontológica

 

No célebre artigo de 1975 — “The Meaning of ‘meaning’”[1] —, Hillary Putnam desenvolve o seu conhecido “argumento da Terra Gémea” e, por implicação, debate a generalidade das questões centrais da filosofia da linguagem.

O objectivo deste ensaio é o de expor algumas das ideias-chave da filosofia da linguagem  abordadas no artigo de Putnam, designadamente:

 

(1)    Os conceitos de intensão e extensão de um termo: Frege e Putnam;

(2)    Estão os significados na cabeça? ou ... «requere-se» a cabeça nos significados?

(3)    A hipótese da universalidade da divisão do trabalho linguístico;

estereótipo e comunicação;

(4)    Sentido, referência e compreensão;

(5)    Referência e coerência: teorias da verdade;

(6)    Realidade e apreensibilidade: Searle e Putnam;

(7)    Apreensibilidade do real e linguagem



[1] Vide «The Meaning of ‘Meaning’», in Mind, Language and Reality, Philosophical Papers, Vol. 2, Cambridge University Press, 1975.


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