Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
Espinosa # 25

 

««[ ] cada cidadão ou súbdito possui tanto menos direito
quanto a sociedade é mais potente que ele».
 
É esta a «assimetria» que se observa ( )
quer no estado de natureza quer no estado político,
não havendo ( ) lugar para uma ruptura com a projecção
daquela que estipula o contratualismo.
 
O poder soberano só é acessível metaforizado,
transportado para uma configuração reconhecível.
 
Em si mesmo, ele é a pura violência,
o processo espontâneo dos «conatus»
em estado de natureza.»

 

 

Diogo Pires Aurélio, Imaginação e Poder,
Edições Colibri, Lisboa, 2000, p.269-70-72

 


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publicado por vbm às 11:56
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3 comentários:
De alf a 31 de Janeiro de 2009 às 01:03
lembra-me a frase de Péricles de que a pessoa mais poderosa de Atenas era o seu filho, porque mandava na mãe e esta mandava nele, Péricles.

Quando o poder se distribui em círculo, essa frase do Espinosa não se plica com essa simplicidade - é o que se procura conseguir com os sistemas democráticos, em que o povo segura sempre uma ponta do poder através do voto.

Por outro lado, ela aplica-se inteiramente nos sistemas em que a eleição dos dirigentes é por colégios sucessivos e não por eleições directas e anónimas. Aplica-se inteiramente aos sistemas comunistas, por exemplo, que parecendo racionalmente perfeitos, sofrem dessa profunda falha.

Nunca tinha pensado nisto... o que se aprende visitando os blogues de quem pensa...


De vbm a 4 de Fevereiro de 2009 às 10:31
Lol. Não tinha reparado nesta tua visita! :)
Não é surpreendente, pois não uso propriamente
este blog para comunicar, mas para registar... frases :)

Espinosa era um democrata e propunha
que o povo organizado elegesse
os legisladores e que os governantes
fossem controlados e sujeitos à lei.

Contudo, Espinosa era também um naturalista,
destituia o conceito de contrato social
e atinha-se à verdade de que

cada indvíduo ou grupo
exerce e procura conservar
todo o poder que consegue.

Isto, em si, não exclui a cooperação
porque, pelo uso da razão - e da razoabilidade -,
cada pessoa ou colectividade concluirá, caso por caso,
da conveniência da melhor articulação
entre o interesse próprio e o colectivo.


De vbm a 4 de Fevereiro de 2009 às 13:39
Tenho de acrescentar ao meu comentário anterior
que nele não há nenhuma contradição
nem concessão ao contratualismo
enquanto solução racional
preferível à violência
pura.

Espinosa não é tão ingénuo assim!

A razão, os consensos de razoabilidade
entre os indivíduos, os grupos, os estados
só se impõe sobre os potenciais conflituantes
se nisso houver vantagem e enquanto a houver.
De resto, o confronto de forças permanece sempre,
mesmo na situação de paz e entendimento. Isto é,
o direito natural, impera sempre. De resto, não há
direito nenhum sem o respectivo poder, capacidade,
de o fazer vingar. Note-se, por exemplo, que isto tanto
assim é, que no direito penal, a resistência à autoridade,
a fuga de prisão, e outros reflexos de auto-defesa instintiva
contra as autoridades são sempre objecto de penas leves,
justamente porque o direito natural nunca é destituído.


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